A Rede Social

Antes de qualquer coisa, preciso deixar claro que eu considero esse filme um dos meus favoritos de todos os tempos.
Agora sim, posso começar com a review.

A Rede Social, pra quem ainda não viu e não sabe do que estou falando, é um filme baseado no livro “Bilionários Por Acaso”, escrito por Ben Mezrich. O livro conta a história de Mark Zuckerberg e companhia, durante a criação do Facebook. O filme em si, não é “um filme sobre o Facebook”, como muita gente pensa. O roteirista do filme, Aaron Sorkin, deixa isso muito claro em várias entrevistas. Ele escreveu um roteiro de um filme sobre a vida de jovens nerds estudantes de Harvard, que se envolvem de várias formas na criação da maior rede social existente.

O papel principal é de Jesse Eisenberg (Zumbilândia, Adventureland, Amaldiçoados…), que interpreta (e MUITO bem) o papel de Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Todos os personagens da história estão vivos, mas são bem inacessíveis. Para fazer o papel de Zuckerberg, Jesse se baseou vendo fotos, entrevistas e outros vídeos do próprio pela internet. Se ele ficou igualzinho o Mark, não dá pra saber. Mas que ele fez uma bela interpretação no filme, ele fez. Acho que não existe outra pessoa no mundo que conseguisse falar tão rápido como ele.
Andrew Garfield (Não Me Abandone Jamais, Boy A, e será o novo Homem-Aranha!) é, pra mim, desde a 1ª vez que vi o filme (eu já vi 3), o maior destaque dessa produção. Ele interpreta o brasileiro Eduardo Saverin, co-criador do Facebook, e melhor amigo de Zuckerberg. Por que eu acho que ele é a estrela do filme? Por que toda a parte sentimental, de amizade, confiança, e, depois, traição, vem dele. O Mark é um robô. O Eduardo é o coração desse robô. Acho válido comentar aqui que o Andrew contou numa entrevista que ele só tentou fazer uma espécie de sotaque brasileiro (ele tem pai americano e mãe inglesa, mas ele fala naturalmente com sotaque britânico), e que a única coisa que aprendeu sobre o Brasil foi “capoeira”.

A química entre Jesse e Andrew é quase um post à parte. Eles se conheceram nos ensaios do filme, e logo na primeira cena de gravação, já começaram a se entender muito bem. Os dois viraram melhores amigos. Andrew comentou que foi pedido a ele pra que ele se apaixonasse pelo Jesse, pois assim conseguiria mostrar todo o sentimento de traição que rola no final do filme, e ele disse que foi muito fácil. Não existiria dupla melhor pra fazer um filme desses.
Pra continuar falando do elenco, quem completa o trio de “atores principais” é o Justin Timberlake, interpretando o fundador do Napster, Sean Parker. Justin praticamente implorou para o diretor do filme selecionar ele pro papel, e pelo jeito deu certo. Ele já declarou que quer se dedicar cada vez mais à carreira de ator, e eu acho que ele deve continuar. Eu não esperava nada dele nesse filme, mas ele conseguiu me surpreender. Outro destaque de atuação vai para Armie Hammer (Gossip Girl), que, sim, é um só, mas interpreta os gêmeos Tyler e Cameron Winklevoss, os remadores de Harvard que acusam Mark de roubar a idéia deles de criar o Facebook. O filme foi gravado com Armie e Josh Pence fazendo o papel de um dos irmãos, mas eles colocaram o rosto do Armie depois, graficamente. Eu quando vi o filme pela primeira vez não fazia ideia desse detalhe. Realmente não dá pra perceber que não são dois irmãos gêmeos!

O assunto dos gêmeos me lembra de uma das melhores cenas do filme, em que eles vão para uma competição de remo na Inglaterra. A genialidade dessa cena é uma daquelas coisas que te faz se apaixonar por uma produção dessas. Os efeitos especiais, a fotografia, as expressões dos atores, o local, e a trilha sonora principalmente. Trent Reznor (Nine Inch Nails) e Atticus Ross, responsáveis pela trilha, fizeram uma versão moderna de “In the Hall of the Mountain King” para essa cena da competição. É a combinação perfeita de música e cena. Só assistindo pra entender! E por falar na trilha, eu digo aqui porque eu acho que essa merece o Oscar: além de maravilhosa, e além de eu ser fã número um do GÊNIO Trent Reznor, ela é quem dá o tom para o filme. Sem ela, seria um monte de cenas com um bando de nerd falando sobre tecnologia e discutindo ações judiciais.
Para citar outra cena ótima do filme, a de início, com Mark e sua ex-namorada Jessica sentados num bar discutindo, é sensacional. É extremamente longa, o roteiro dela tem umas 10 páginas, e os atores tiveram que refazê-la 99 vezes. Sim. 99 vezes. Na 99ª, o diretor disse que estava suficiente. Básico, né?

Vamos aproveitar e falar do diretor, o outro gênio, chamado David Fincher (Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button, Zodíaco, Quarto do Pânico, Se7en). Se você já viu todos esses filmes, sabe que ele tem um estilo próprio. E na minha opinião, é O estilo. Clube da Luta é um dos meus filmes preferidos. Eu poderia ficar horas aqui falando do David, das ideias dele, da visão dele, do perfeccionismo dele. Ele é chato, pelo menos é o que dá pra perceber pelos vídeos de making-of, e isso faz ele ser mais genial ainda. Ele tira dos atores tudo que eles podem dar até eles ficarem cansados de fazer aquela cena. Mas dá certo. Muito certo. Na cena em que o Sean está conversando com o Mark no meio de uma balada, você percebe que eles estão gritando, porque a música realmente está alta na gravação. Uma das maiores maravilhas de David Fincher é o realismo que ele põe nas cenas. Ele concorreu como melhor diretor pelo Benjamin Button em 2009, mas não ganhou. Esse ano o prêmio é dele e ninguém tira!

Por que esse filme é, pra mim, o melhor do ano e muito digno de receber todos os prêmios possíveis? (Detalhe: já ganhou 4 Globos de Ouro, 3 BAFTAs, e muitos outros) Eu respondo: porque é simplesmente genial. Tem o melhor elenco que um filme desses poderia ter, o melhor diretor, o melhor roteirista, a melhor trilha sonora, produtores e editores de alto nível.
Se você é um dos que ainda não viram A Rede Social, no começo de março o DVD será lançado no Brasil. Corra alugar, e não se esqueça de ver os especiais. E também não se esqueça de rever o filme pelo menos uma vez, pra pegar os detalhes que você perdeu. Eu sei, é um filme rápido, longo, e com muito diálogo. Mas eu te garanto que se você não gostar da primeira vez, vai amar na segunda!

Deixo aqui um wallpaper que fiz do filme pra quem quiser:


The Social Network Wallpaper by ~carolmunhoz on deviantART

1 Comentário

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