Oscar 2011

OK. Vamos falar de Oscar! Metade desse post vai ser de felicidade e metade vai ser de um pequeno ódio e revolta com a Academia. Quero antes relembrar aqui quem ganhou alguns dos prêmios no Globo de Ouro e no BAFTA, caso alguém não tenha visto:

- Globo de Ouro 2011:
Melhor filme drama: A Rede Social
Melhor direção: David Fincher – A Rede Social
Melhor roteiro: Aaron Sorkin – A Rede Social
Melhor trilha sonora: Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social

- BAFTA 2011:
Melhor filme: O Discurso do Rei
Melhor direção: David Fincher – A Rede Social
Melhor roteiro adaptado: Aaron Sorkin – A Rede Social
Melhor edição: Angus Wall e Kirk Baxter – A Rede Social
Melhor trilha sonora: Alexandre Desplat – O Discurso do Rei (A Rede Social nem foi indicado nessa categoria)

Certo. Observaram bem? Então vamos lá.
Primeiro, quero comentar rapidamente sobre moda e o tapete vermelho, porque é uma das coisas que eu mais curto em premiações, e principalmente no Oscar.

Tirando a Scarlett Johansson, que estava com um vestido horrendo e nada a ver com a ocasião, eu praticamente gostei de todos os vestidos. Minha preferida ainda é a Mila Kunis, LIN-DA de lilás. Sandra Bullock e Anne Hathaway arrasaram de vermelho, que eu amo e sempre acho que é uma boa escolha pra usar no Oscar e brilhar. E Natalie Portman, gravidíssima, simplesmente perfeita. Alguém mais além de mim notou que Brangelina não foram à premiação esse ano? Nem Leo DiCaprio e Kate Winslet… Achei estranho. E senti falta deles!

E por falar em casais, para mim os mais lindos foram esses: Javier Bardem e Penelope Cruz, adoro muito esses dois e, detalhe: Penelope acabou de ter gêmeos. Armie Hammer e Elizabeth Chambers, lindíssimos. Andrew Garfield e Shannon Woodward, eu amei o vestido dela também! E por fim Claire Danes e Hugh Dancy. Preciso falar alguma coisa desses dois? Acho que não.

A abertura do Oscar foi magnífica, assim como o encerramento. Primeiro quero falar da abertura, que assim que começou eu já me arrepiei todinha. Começa uma montagem dos filmes indicados e a primeira cena é A MELHOR CENA de A Rede Social (que eu comentei no post sobre o filme!), e a música de fundo é a versão de Trent Reznor e Atticus Ross para “In the Hall of the Mountain King”, a melhor música da trilha sonora. Eu já pensei: é um sinal? A Academia REALMENTE vai reconhecer o melhor filme do ano? Mas enfim…isso vem depois.

O encerramento também foi uma montagem dos filmes indicados, mas com o discurso do George VI de fundo. Esse foi outro sinal da Academia. Mas foi uma montagem emocionante, principalmente pra mim, que achei essa a melhor awards season de todos os tempos.

A apresentação de James Franco e Anne Hathaway foi muito boa. Não tão boa quanto eu esperava, mas só de ver aquela abertura deles nos filmes, e os vestidos da Anne, e as caretas do Franco…já foram pontos positivos. Nem preciso falar do James vestido de mulher né? Sensacional.

Os prêmios de Direção de Arte (Alice In Wonderland), Fotografia (A Origem) e Atriz coadjuvante (Melissa Leo), que vieram no começo, foram todos muito justos e todos que torci a favor. Apesar de ter amado Amy Adams em O Vencedor, tinha certeza que o prêmio ia para a Leo.

Toy Story 3 de melhor animação: óbvio. E eu também acho que, se não tivesse tantos filmes bons concorrendo, ele tinha chance de ganhar de Melhor Filme. Toy Story é a minha infância, e eu nunca chorei tanto vendo um filme quanto esse. De soluçar mesmo.

Roteiro adaptado foi pra A Rede Social. Um dos prêmios mais justos da noite. Como provei na comparação ali em cima, Aaron Sorkin é um gênio e foi MUITO BEM reconhecido, graças a Deus, em todas as premiações esse ano. É o roteiro mais bem feito (e mais fantástico) que eu já vi. Vou deixar essa nota aqui: Aaron Sorkin termina o discurso agradecendo e falando infinitamente sobre David Fincher.
Roteiro original foi para O Discurso do Rei, também muito dignamente. Que história fantástica tem esse filme! Não tem como não se apaixonar, e o estranho é que é uma parte da história que quase ninguém conhece. Roteiro brilhantemente escrito por David Seidler!

Se dessem o prêmio de Ator Coadjuvante pra qualquer outro que não fosse o Christian Bale, eu ia ficar muito brava. A não ser que fosse pro Geoffrey Rush, porque ele em O Discurso do Rei está fantástico. Mas não tem como assistir O Vencedor sem dizer: Christian Bale é O CARA! Convenhamos, Mark Ruffalo indicado nessa categoria foi “uó”. Talvez seja porque eu não gostei de Minhas Mães E Meu Pai (The Kids Are All Right), e porque o papel do Ruffalo é ridículo. Mas enfim…

Eu me lembro do momento em que chegou a categoria de Melhor Trilha Sonora Original, meu coração chegou na minha boca. Apesar de eu ter certeza de que A Rede Social ia ganhar, eu fiquei nervosa. Nenhuma trilha merecia ganhar mais do que essa, apesar de amar muito as obras de Alexandre Desplat e Hans Zimmer. José Wilker, no seu comentário sobre esse prêmio na Globo, disse que não faz sentido, pois é uma trilha que não influencia nada no filme. Desculpem o mau jeito, mas me deu vontade de dar um tiro nele. A Rede Social SEM essa trilha sonora, desse jeitinho que foi feita, seria um filme com outro aspecto, COMPLETAMENTE diferente. Eu acredito, na minha visão, que ISSO faz uma trilha sonora ser digna de um Oscar. E foi por isso que eu me emocionei tanto na hora que anunciaram Trent Reznor e Atticus Ross. Trent Reznor, pra quem não sabe, era criador, vocalista, frontman, pianista, guitarrista, etc etc etc da banda Nine Inch Nails. Eu tive o enorme prazer de ver a banda tocar no Brasil em 2005, e foi um dos melhores shows da minha vida. Trent Reznor é um gênio, ponto final. Atticus Ross já foi produtor de alguns álbuns do NIN, e também fez a trilha sonora do filme O Livro de Eli (muito bom, aliás!). Logo no começo do discurso, o Trent fala que gostaria de agradecer a Academia pelo reconhecimento, e ao David Fincher. E ele trava. Ele não consegue descrever uma maneira boa o suficiente para agradecer ao outro gênio, por trás do filme. Eu fiquei mais emocionada que o próprio Trent. O Atticus agradece ao Trent, falando: “você é um gênio. Um grande amigo…e um gênio”. É. Pois é.

Os prêmios seguintes foram de Mixagem de som (A Origem), Edição de som (A Origem!), Maquiagem (O Lobisomem) – Nessa parte teve uma homenagem para O Senhor dos Anéis e eu chorei horrores –, Figurino (Alice In Wonderland – Um dos melhores prêmios e um dos mais merecidos, com certeza!), e os documentários. Eu torcia muito por Lixo Extraordinário, o filme documentário sobre o trabalho dos catadores de lixo do Rio de Janeiro, fotografado pelo Vik Muniz. A única representação do Brasil no Oscar, e perdeu. Vik Muniz é outro gênio que eu tenho que citar aqui. Se você não sabe quem ele é, é só lembrar-se da abertura da novela Passione. Lembrou? Foi ele que fez!

Outro prêmio óbvio: Melhores efeitos visuais para A Origem. Quando assisti esse filme no cinema, eu já sabia que ia ter esses prêmios todos, e muito dignamente. Assistir A Origem e não babar nos efeitos visuais do filme é simplesmente um absurdo.

Melhor edição também foi para A Rede Social, outro prêmio que eu também tinha certeza que o filme ia ganhar. Não tem pra ninguém. Angus Wall e Kirk Baxter também concorreram ao Oscar pela edição do filme O Curioso Caso de Benjamin Button. A felicidade deles de ganhar esse ano foi o máximo. E eles também ficaram sem palavras para agradecer ao Mr. Fincher.

Foi aí que veio a maior – desculpem o palavreado – “cagada” que a Academia já fez. Já sabendo que O Discurso do Rei ganharia de Melhor Filme (eu já estava sentindo isso, apesar de torcer até o fim…), os espertinhos (not) deram o prêmio de Melhor Direção para Tom Hooper. Foi tão estúpido que eu não conseguia nem falar na hora. Nem o próprio Hooper acreditava que ele tinha batido David Fincher. Ele ganhou o Globo de Ouro. Ele ganhou o BAFTA (uma premiação EXTREMAMENTE britânica, que deu quase todos os prêmios para O Discurso do Rei, MENOS o prêmio de melhor direção!). E mesmo assim, a Academia foi lá e acabou com a felicidade do povo. Eu gostaria de entender as pessoas que votam nisso…porque não faz sentido e nunca vai fazer pra mim. Estava CLARO que esse ano era de David Fincher.

Bom…depois da revolta, vieram outros dois prêmios óbvios e justíssimos, para compensar. Natalie Portman e Colin Firth não têm comparação. Simples assim. A Natalie chorando e a cara do Geoffrey quando mostrou a cena do Colin, me fizeram chorar muito! E também fiquei bem feliz que o mais aplaudido foi o Jesse Eisenberg. Eu vejo um futuro de vários Oscars nesse menino!

E o prêmio de Melhor filme, como todos já sabem, foi para O Discurso do Rei. Certamente é um filme lindo, apaixonante, maravilhoso, muito bem feito, bem escrito, com um elenco digno de…tudo. Eu vi o filme e falei: tem grandes chances. Eu vi Cisne Negro e falei: tem grandes chances. Eu vi 127 Horas e falei: tem grandes chances. TODOS filmes MUITO bons. O páreo era duríssimo esse ano. Mas naquele finalzinho, no último prêmio de toda essa awards season, quem merecia realmente ganhar era A Rede Social. Um filme que fala por si próprio, e representa uma geração TÃO marcante, TEM que ganhar o Oscar! Eu não entendo! O filme ganhou tantos prêmios…por que, e COMO a Academia não conseguiu reconhecer? A Rede Social é SIM o filme do ano! E eu vou deixar isso marcado aqui. Ao infinito e além!


(créditos da imagem: http://hail.ph/film/oscar-movie-madness/).

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